| Especial
Mitologia Védica
Os
Vedas, literatura sagrada dos hindus, tem seu valor histórico muito
pequeno, se comparado com o Velho Testamento da Bíblia. Os Vedas são
cantos e hinos, são livros religiosos. Um livro histórico apresenta
detalhes particulares de uma terra, cultura e povo e os Vedas são
desvalidos destes detalhes. Acredita-se que a principal razão desta
falta de conteúdo histórico nos Vedas (literatura Ariana) dá-se pela
constante mudança geográfica dos Arianos. Contudo, podemos perceber
alguns detalhes geográficos no Rigveda quando este faz menção dos rios e
montanhas do Punjab. A Palavra Punjub significa “Sete Rios” e quando
esta parte do hino foi composto acredita-se que os Arianos estavam
localizados entre o Rio Jamna e Satlaj.
O Rigveda não faz qualquer menção sobre assentamentos fixos dos
Arianos. A completa ausência de referências escritas no Rigveda sugere
que os Arianos eram iletrados. Os Vedas eram passados de geração para
geração por meio de cantos e hinos e somente muito tempo depois eles
foram escritos. O termo Veda denota a sagrada sabedoria que os Arianos
trouxeram para dentro da Índia e desenvolveram através dos séculos.
Calcula-se que o Rigveda foi evolvido entre 2600 e 1500 a.C., mas
não há uma nenhuma posição unânime sobre o tempo e origem do Rigveda.
Acredita-se que começou a ser escrito às margens do rio Kubha,
atualmente parte do Afeganistão. O Rigveda consiste de dez volumes e de
uma coleção de 1.028 hinos de louvor para um grande número de deidades
masculinas. O Rigveda caminha na mesma direção mitológica dos gregos,
porém, os hinos são mais cheios de simbolismo. Por exemplo, de um mesmo
hino se pode tirar vários temas mitológicos.
Muito da mitologia Ariana está relacionada com deuses chamados
“devas”. Essa palavra está relacionada com o latin “deus” e com o
português “divino”. Tal como os gregos e germânicos, os Arianos eram
patriarcais e como conseqüência disso, a maioria de suas deidades são
masculinas. Os quatro mais importantes são Varuna, Indra, Agni e Soma.
Indra é a mais popular deidade no Rigveda, com mais de 250 hinos
devotados a ele, freqüentemente mencionado em feitos heróicos e por sua
força. Tal como Zeus e Thor, ele é associado com tempestades. É ele quem
libera a água das nuvens e na sua mão ele carrega relâmpagos. A
irrigação natural causada pelas chuvas e as monções são atribuídas a
Indra.
Varuna é considerado uma das mais altas figuras do
panteão hindu.
Ele não é um guerreiro como Indra, mas um poderoso rei, sentado em seu
palácio nos céus. À Varuna, tal como a outras deidades, é creditada a
criação. Segundo o Rigveda (Cap. 5:85) foi ele quem colocou o sol no
céu. Segundo a mitologia, é Varuna quem tem a responsabilidade de
garantir que o transgressor da lei seja punido e que o adorador seja
protegido.
Agni é
o deus do fogo e tem uma grande importância no Rigveda. Seu nome está
relacionado com o latin “ignis”, de onde tiramos a palavra portuguesa
“ignição”. Ele tem mais de 200 hinos dirigidos a ele e é a segunda
deidade mais mencionada. Agni é o mediador entre os seres humanos e os
deuses. É ele quem queima o sacrifício elevando o mesmo até os deuses e
conseqüentemente trazendo os deuses até o sacrifício.
Outros 120 hinos são dirigidos a Soma, ele é uma planta. Alguns
hinos se referem a Soma sendo espremido para que dele se extraia o suco
sagrado. Este processo é igualado ao processo da chuva caindo sobre a
terra, e sendo filtrada pela vegetação, é armazenada na terra produzindo
o suco sagrado (água potável) para os seres humanos.
A mitologia e filosofia hindu são extensas e ricas nos seus
conteúdos filosóficos e históricos. É preciso um pouco de conhecimento
sobre filosofia e mitologia hindu para poder entender o hinduísmo. O
hinduísmo com seu panteão de milhares de deuses, muitos apresentando uma
certa anomalia física - deuses com várias cabeças, braços ou pernas,
passa-nos uma idéia de irracional. Para entender todas essas figuras e
deidades precisamos entender o pano de fundo filosófico, mitológico e
histórico que os cerca, quando então essas figuras passam a fazer mais
sentido para nosso entendimento. Entendimento esse necessário para
aqueles que desejam compartilhar o evangelho com os hindus. A mensagem
deve ser relevante e contextualizada.
Jesus Cristo tinha uma mensagem relevante a todas as culturas e
povos da Sua época, do presente e até mesmo do porvir. Sua mensagem era
contextualizada e Seu entendimento sobre os povos, filosofias e
mitologias pode ser notado no conteúdo de Seus ensinos.
Os gregos eram o cérebro da Europa e a filosofia grega o pensamento
Europeu, assim como o hinduísmo é o cérebro da Ásia e tem feito de sua
filosofia o pensamento asiático. Os gregos diziam que os propósitos da
vida eram três: o Bom, a Verdade, e o Bonito. O hinduísmo também diz que
os propósitos da vida são três: Gyana, Bhakti, e Karma. Com a diferença
de que para os hindus esses três pontos são mais significativos
espiritualmente, pois o propósito da vida hindu é alcançar Brahma,
absoluto hindu, e para alcançá-lo precisa-se destes três caminhos: Gyana
Marga, o caminho do conhecimento; Bhakti Marga, o caminho da devoção ou
emoção; e Karma Marga, o caminho dos trabalhos e boas obras.
Jesus anunciou para os gregos e hindus: “Eu sou o Caminho, a
Verdade e a Vida:” Aos gregos: “Eu sou o Caminho” – o método de agir – o
Bom do grego; “Eu sou a Verdade” – a Verdade do grego – “Eu sou a Vida”
– o Bonito do grego, pois a Vida é bonita. Aos hindus: “Eu sou o
Caminho” – o Karma Marga, o método de agir; “Eu sou a Verdade” – o Gyana
Marga – o método do conhecimento; “Eu sou a Vida” – o Bhakti Marga – o
método de emoção, pois a Vida é emoção.
Aos ouvidos dos gregos a declaração de Jesus soou: “Eu sou o Bom, o
Bonito, e a Verdade. Aos ouvidos dos hindus: Eu sou Gyana, Bhakti, e
Karma. Pois Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida.
Jesus Cristo é o Filho de Deus, também é o Deus
encarnado que viveu
entre os homens. Ele é concreto e universal. Relevante a todas as
culturas. Absoluto em seu Ser e também em Seus ensinos, contudo Seus
ensinos são contextualizados e penetra em todos os corações. Ele encara
todos os pensamentos e culturas em todas as gerações e diz: “Eu sou o
caminho – que é a Ética”; “Eu sou a verdade – que é a Filosofia”; “Eu
sou a Vida – que é a Religião”. Jesus é Ética, Filosofia e Religião,
pois Ele é Vida, e Vida inclui tudo isso e flui delas.
Cristo e Seus ensinos penetram a consciência de toda e qualquer
filosofia e cultura. Sua mensagem é relevante e atual em todos os
contextos, e aqueles que desejam alcançar o coração de outro povo, em
especial dos hindus, deve ir além daquilo que os olhos podem ver na
aparência mitológica e penetrar no coração da mesma com a mensagem do
evangelho. Jesus não inventou nada de novidade em sua abordagem
teológica, Ele era a novidade!
A mitologia e filosofia hindu, compreendidas no seu real sentido,
revelam o clamor de um povo que busca pela Verdade Absoluta e essa
Verdade é Cristo. Jesus nunca discutiu sobre o caminho para Deus ou a
possibilidade de encontrar isso, Ele disse: “Eu sou o Caminho”. Muitos
discutem sobre o que é a verdade, porém Jesus diz: “Eu sou a Verdade”.
Outros tentam definir o que é a vida, mas Jesus diz: “Eu sou a Vida”.
Portanto, o único caminho para penetrar no coração da Índia e torná-la
livre é dar a ela Cristo. Ao deparar com a mitologia hindu, a pergunta
deve ser: Qual é a busca representada aqui?
A mitologia e filosofia hindu rodeiam a verdade, mas não conseguem
chegar até ela. Indra, Varuna, Soma e Agni são mitologias que rodeiam a
verdade. Quem é que faz as chuvas caírem sobre a terra? Lemos em
Jeremias 14:22: “Há, porventura, entre os deuses falsos das nações,
algum que faça chover? Ou podem os céus dar chuvas? Não és tu, ó Senhor,
nosso Deus? Portanto em ti esperaremos; pois tu tens feito todas estas
coisas.” E ainda Zacarias 10:1: “Pedi ao Senhor chuva no tempo da chuva
serôdia, sim, ao Senhor, que faz os relâmpagos; e ele lhes dará chuvas
copiosas, e a cada um erva no campo.” Correr para Indra é rodear a
verdade, mas correr para Cristo é correr para a Verdade! Quem é o
poderoso rei sentado em seu trono? Quem traz justiça na terra? O Salmo
9:7 diz: “Mas o Senhor está entronizado para sempre; preparou o seu
trono para exercer o juízo.” E ainda o Salmo 89:14: “Justiça e juízo são
a base do teu trono; benignidade e verdade vão adiante de ti.” Correr
para Varuna é rodear a verdade, mas correr para Cristo é correr para a
Verdade! Quem é o fogo e o mediador? Deuteronômio 4:24 diz: “Porque o
Senhor vosso Deus é um fogo consumidor, um Deus zeloso.” Ele é o fogo!
Mas também é o Mediador: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre
Deus e os homens, Cristo Jesus, homem.” (1 Timóteo 2:5). Na mitologia
hindu Soma é planta, mas na Verdade de Deus Jesus é a Videira: “Eu sou a
videira verdadeira, e meu Pai é o viticultor.” (João 15:1). Correr para
mitologias é rodear a verdade, mas correr para Cristo é correr para a
Verdade! Ele é o Centro do Universo!
Que nosso coração se encha da sabedoria de Deus e nossos pés
caminhem em Suas verdades e que possamos trazer as nações ao
conhecimento do Filho de Deus.
Escrito
pelo Rev. Luis Alexandre Ribeiro Branco
(Missionário pela Igreja Batista Central de Petrópolis e JAMI – CBN,
servindo como pastor adjunto na North Sea Baptist Church na Noruega).
Notas de referências:
1. The Spirit of Hinduism – David Burnett (Monarch)
2. Divine Harmony – Aravindaksha Menon (Divine Printers)
3. The Christ of the Indian Road – E. Stanley Jones (The Abingdon Press) |
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