Exibicionismo
5E, quando
orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas
sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em
verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. 6Mas tu, quando
orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está
em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. 7E, orando,
não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu
muito falar serão ouvidos. 8Não vos assemelheis, pois, a eles; porque
vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.
(Mateus 6:5-7)
O versículo bíblico que melhor interpreta os versículos acima está no
mesmo capítulo 6, versículo 1, que diz: “Guardai-vos de fazer as vossas
boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; de outra
sorte não tereis recompensa junto de vosso Pai, que está nos céus.”
O Senhor Jesus nos textos acima não está fazendo uma
crítica a oração pública, mas sim àqueles que no exercício de sua vida
devocional, utilizam esses mesmos exercícios com o objetivo de chamar
atenção para si próprios e para sua espiritualidade.
Se existe alguém que deve ficar impressionado com a
nossa espiritualidade, essa pessoa é Deus, e quando pensamos em
impressionar a Deus com palavras bonitas e com exercícios devocionais,
se formos sinceros não agiremos como o fariseu, e sim como o publicano
que estando em pé de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu,
mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, o pecador!
(Lucas 18:9-14).
Os fariseus tinham por costume parar pelas esquinas das ruas
para orar enquanto caminhavam para o templo. O objetivo era dar aos
outros a impressão de que eram pessoas tão dedicas ao Senhor que não
podiam conter-se até chegar ao templo, mas eram impelidos a orarem onde
estivessem. Era uma tendência ao exibicionismo. Eram homens orgulhosos
de sua espiritualidade, se consideravam acima dos demais homens.
O Senhor Jesus nos exorta em Mateus 6 a levar uma vida
devocional secreta para com o Pai. Porém, vivemos em um tempo onde
pessoas com necessidade de auto-afirmação anunciam com antecedência que
estarão passando dias em oração e jejum, alguns tomam posições mais
radicais até mesmo raspando a cabeça. O problema não está no exercício
devocional, mas na motivação do mesmo. Se o objetivo é agradar ao
Senhor, estes devem ser secretos, entre a pessoa e Deus.
O pecado da vaidade e do orgulho são tão sutis que
muitas vezes aparecem vestidos de humildade e espiritualidade. Qualquer
coisa incomum serve apenas para atrair a atenção alheia para si mesmo,
portanto, toda vez que paramos nas esquinas das ruas estamos falando
mais aos homens do que a Deus. O Senhor deseja se encontrar conosco no
segredo da nossa espiritualidade.
O que deve aparecer na vida do crente, e brilhar como a
luz, é o testemunho cristão, a renúncia pelo pecado, por atitudes
erradas, pelas palavras torpes, e coisas semelhantes a essas. Nosso
testemunho cristão, nosso apego pelos caminhos do Senhor e a nossa
decisão pelas coisas certas e honestas são as coisas que devem aparecer
em nossa vida, pois são essas coisas, nossa santidade, que nos
diferencia do ímpio. Como diz em Mateus 5:16 “Assim resplandeça a vossa
luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e
glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” – o que deve aparecer em
nossa vida é a nossa luz, nossa santidade.
Algumas vezes confundimos a palavra santidade com
compromisso. Santidade é renunciar ao pecado. Quando nos deparamos com o
pecado e escolhemos não pecar, a santidade está sendo manifesta nas
nossas vidas. Santidade significa ser separado do pecado. “Porque eu sou
o Senhor vosso Deus; portanto santificai-vos, e sede santos, porque eu
sou santo; e não vos contaminareis com nenhum animal rasteiro que se
move sobre a terra.” (Lev. 11:44). Santidade é ser correto nos nossos
procedimentos. “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também
santos em todo o vosso procedimento.” (1 Pedro 1:15). Portanto, oração
somente não é santidade, jejum somente não é santidade, tal como muitos
outros atos devocionais por si só não são santidade, mas denotam
compromisso do crente com seu Senhor. Devemos entender essa diferença
para não confundirmos as coisas, pois muitas vezes o que realmente
deveria aparecer para servir de testemunho, nossa santidade, não
aparece, mas as coisas que só servem para aumentar o pecado do orgulho e
da vaidade, são as coisas que deixamos aparecer em nossa vida.
“Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para
serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis recompensa junto de
vosso Pai, que está nos céus.” (Mateus 6:1).
Que possamos nos esvaziar de todo exibicionismo e
passar a escolher os caminhos secretos de Deus, que possamos ser crentes
maduros e firmados na Palavra.
Escrito
pelo Rev. Luis Alexandre Ribeiro Branco
(Missionário pela Igreja Batista Central de Petrópolis e JAMI – CBN,
servindo como pastor adjunto na North Sea Baptist Church na Noruega).